Boletim Clima e Gestão | n° 02| novembro de 2009  
Tempo e Clima       Comercialização       Insumos     Tecnologia      Resultado econômico

Uberlândia - MG


PERFIL ANALISADO

Área explorada

1.500 ha

Propriedade
50% arrendada

Armazenamento
Tercerizado

Nivel de tecnologia
Ótimo
Uberlandia

  TEMPO E CLIMA


Gráfico 1: Previsão climática de chuva (mm) para Uberlândia (MG) nos meses de novembro e dezembro.

CHUVA REGULAR NO INÍCIO DA SAFRA VERÃO EM UBERLÂNDIA

Desde setembro a chuva está acontecendo com regularidade na região de Uberlândia, como é comum nesta época do ano. Na primavera, a circulação dos ventos em baixos níveis da atmosfera no Sudeste do país, é proveniente de regiões tropicais trazendo um ar quente e úmido que favorece a formação de nuvens de chuva.
Nesta época também, as frentes frias que chegam a Região têm um deslocamento lento e permanecem por mais tempo, tendo maior influência no aumento da precipitação do que na incursão de ar frio. Além desses fatores climatológicos, ainda temos até o fim deste ano a influência do fenômeno El Niño, embora agora já em sua fase fraca.
O El Niño, que é o aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, tem forte impacto na circulação atmosférica global e estudos mostram que a presença do mesmo pode potencializar a ocorrência de chuva na Região Sudeste do Brasil.
O volume de chuva previsto para Uberlândia em novembro e em dezembro ficará dentro da média histórica e tende a ser maior do que os observados em setembro e em outubro, o que irá favorecer a fase inicial das safras de soja e milho. A finalização do plantio e os estádios vegetativo e de floração devem ser favorecidos pela chuva regular e sem excesso.

 




    

Gráfico 2: Riscos potenciais para as culturas soja e milho verão em Uberlândia (MG) nos meses de novembro e dezembro. 

    

COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO

SAFRA 2008/09

Em função de falta de ofertas de pré-fixação do preço do grão no segundo semestre de 2008, o Produtor Padrão de Uberlândia não antecipou vendas entre setembro e dezembro/08. Apenas em janeiro/09, no momento mais próximo à colheita, o produtor obteve oferta de pré-fixação, que foi realizada ao preço médio de R$ 47,0/saca, com recebimento em abril/09 (volume de 20,6% do grão colhido em 2009). Em fevereiro/09, houve ainda pré-fixação de 16,5% do volume de soja, ao preço de R$ 45,0/saca. Essas operações visaram atender o pagamento dos insumos adquiridos com prazo safra junto ao fornecedor de insumos.
Em abril/09, o Produtor Padrão realizou comercialização no mercado spot, ao preço de R$ 42,50/saca. Destaca-se que, em função dos bons preços verificados no mercado interno no período, o Produtor Padrão finalizou a comercialização do grão no primeiro semestre de 2009. O preço médio recebido nos meses de maio e junho/09 foi R$ 42,15/saca.
 




    
SAFRA 2009/10

Até o final de outubro/09, o Produtor Padrão de Uberlândia realizou fixação de 9,3% do volume previsto de soja a ser colhida em 2010. A fixação ocorreu ao preço de R$ 36,0/saca, para entrega do grão em fevereiro/10. Destaca-se que o volume fixado nesse mês só não foi maior em função da exigência dos compradores, de realizarem contratos para entrega até fevereiro/10, quando o volume colhido no município ainda não é expressivo.
Dessa forma, diferentemente do ocorrido para a região do Sudoeste de GO e do MT, que já apresenta fixação de um volume significativo da produção (através de operações de troca e contratos de fixação do preço), a região do Triângulo Mineiro realizou fixação do preço apenas de pequeno volume da produção, estando, portanto, mais suscetível às variações de CBOT e de câmbio no primeiro semestre de 2010.


    
INSUMOS

SAFRA 2008/09


safra0809
    
SAFRA 2009/10

safra0910
    

A baixa capitalização gerada pelo resultado negativo do milho verão 2008/09 (cuja projeção de rentabilidade é negativa em R$ 316,4/ha) aumentou a dependência de financiamento por parte do fornecedor de insumos para aquisição dos agroquímicos. Para a Soja 2009/10, diferentemente do ocorrido para a Soja 2008/09, o Produtor Padrão de Uberlândia adquiriu 100,0% desse item de insumos com pagamento a prazo safra (vencimento em abril/10). Em relação a esse insumo, ainda é importante destacar que há atraso nas vendas, já que as compras estão ocorrendo da “mão para a boca” por parte dos produtores. Quanto aos fertilizantes, graças à antecipação da liberação de recursos de pré-custeio no município, o Produtor Padrão efetuou 100,0% das compras com pagamento à vista. Em relação ao período de compras, 15,0% do volume total de fertilizantes da soja foi adquirido em maio/09 e 45,0% em junho/09. Quanto às sementes, 70,0% do volume utilizado foi adquirido até o final de junho/09. Desse total, 30,0% foi negociado com pagamento à vista e 70,0% com pagamento a prazo safra (abril/10), financiado pelo fornecedor de insumos. Em relação a esse insumo, observa-se aumento do volume adquirido com pagamento a prazo safra, também em função da maior descapitalização por parte do produtor.
 

TECNOLOGIA

Item analisado Soja convencional           Soja RR           
Preço médio de Venda (R$/saca) 35,28 35,28
Produtividade esperada (sacas/ha) 48,9 47,7
Receita operacional projetada (R$/ha) 1.725,19 1.682,86
Custo operacional (R$/ha) 1.679,08 1.633,43
Lucro líquido operacional (R$/ha) 46,12 49,43
Margem de lucro sobre custo (%) 2,75 3,03
Breakeven price (R$/saca) 34,34 34,24

Apesar da menor produtividade estimada para a Soja RR, observa-se que a mesma apresenta projeção de resultado ligeiramente superior à Soja Convencional para a Safra 2009/10, em função do menor custo operacional (custo de operação com máquinas e utilização de herbicidas). Mesmo nessas circunstâncias, observa-se uma diminuição da área cultivada com a Soja RR em relação à Soja Convencional no município, que pode ser justificada pela melhor perspectiva de produtividade média dessa tecnologia em relação àquela.

RESULTADO ECONÔMICO

O resultado do Produtor Padrão de Uberlândia sofreu forte redução na Safra 08/09 comparativamente à Safra 07/08, devido ao baixo preço médio de venda do milho verão (R$17,00/saca) e aos altos custos de produção dessa cultura, com break-even de R$19,34/saca. Na Safra 08/09, a soja apresentou um resultado melhor que na safra anterior, em função de aumento do preço médio de venda em 2009 (preço médio de R$44,83/saca). Para a Safra 09/10, apesar da redução dos custos de produção, projeta-se menor resultado para a soja que no ciclo anterior, em função da perspectiva do baixo preço médio de venda.




PERCEPÇÃO DE RESULTADO

Apesar da volatilidade do câmbio e das cotações em CBOT, o Produtor Padrão de Uberlândia vem apresentando uma regularidade no resultado positivo, porém muito modesto se considerarmos o risco que envolve a atividade. A Safra 07/08 foi mais positiva e trouxe um resultado de 27,59%, o que permitiu a composição de uma reserva e maior liquidez. Mesmo com esse “colchão”, esse modelo aponta que o produtor (na visão de momento) está bastante dependente do seu desempenho em produtividade, para manter uma projeção de fluxo de caixa sem percalços em 2010.  







O serviço Climasecurity é um instrumento de gestão e planejamento para Cooperativas, Assoc. de Produtores, Assoc. Comerciais e Prefeituras, por permitir a projeção de cenários em uma conjuntura de economia instável e alta de volatilidade dos mercados. Se a prosperidade do seu município depende do sucesso dos produtores ele não pode ficar fora do Climasecurity.

Os indicadores contidos neste relatório são projeções derivadas da coleta de dados de campo aplicados a modelos analíticos. Eles refletem as condições econômico-financeiras e comerciais projetadas para um produtor teórico, que não representa a realidade de nenhum produtor rural em particular. Estas análises servem como uma mera referência para consulta, e não devem ser utilizadas para aprovações ou reprovações de crédito de forma coletiva ou particular, definições de preços ou outras decisões táticas do leitor. Diante da dinâmica de fatores climáticos e mercadológicos, a Climatempo e a Agrosecurity, controladoras do serviço Climasecurity, não se responsabilizam pelas decisões tomadas a partir da consulta deste relatório, bem como pelas suas conseqüências para o leitor e terceiros.  

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